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![]() “Não adianta lamentar hoje
Do que não se fez ontem…” Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Eu como dizia Manuel Bandeira Abomino o ser “porque sim”, Ser porque os outros são, Pensar o que os outros pensam, Fazer o que os outros querem Que se faça Ou esperam que assim seja, Ou porque é assim que deve ser… Chega! Não quero trocar de pele Nem tatuá-la com as aspirações, Os medos ou os ascos dos outros. Não quero esperar Quando me apetece avançar, Não vou calar mais As palavras que quero dizer! Às vezes, no silêncio da noite Eu fico imaginando Que cercam-nos Muros de silêncio opresso! Estão sempre a dizer-nos Que devemos viver no presente, Para o presente, Mas o presente não existe. O meu dia de hoje É a ponte entre o passado Do qual venho E o futuro que projecto. Estou no presente por instantes, E atravesso-o, de facto, Impulsionado pelo tempo passado Através do qual me situo e oriento. Tudo em mim é passado. O que fui está lá atrás, E o que fui é sólido, Posso tocar-lhe através da memória. Reconheço uma maçã Porque um dia comi uma maçã. ![]() ![]() ![]() ![]() Autoria : Marte/JCarvalho
Direitos @utorais Reservados
Formatação : Marte/JCarvalho
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